Meu nome é Dal...

Atualizado: há 18 horas

Agaldiga Campos da Silva, para CR Zine.


UMA PRÁTICA.

Tive meu primeiro contato com o yoga aos quinze anos. Adolescente gordinha e desajeitada saída de uma experiência frustrante com o balé clássico, comecei a praticar yoga com uma professora particular indicada por uma amiga de minha mãe. Pratiquei apenas por um semestre, mas fui apresentada às posturas, para as quais tinha uma certa facilidade, e aprendi a importância da respiração e do relaxamento.


Nunca me dediquei a nenhum esporte, mas sempre me mexi. Criada no Canal de Cabo Frio, nadava e remava para me deslocar de um lugar a outro, o que me deu uma musculatura bastante forte. Depois de casada, por duas vezes, e com dois professores diferentes, tentei voltar ao yoga, porém não fui em frente. Acabava me estressando quando não conseguia realizar bem as posturas, e não desligava.


Mas caminhava diariamente uns bons quilômetros, me pendurava na porta do banheiro, e julgava que isso me mantinha em forma. Sentia-me bem. Só que, há uns nove anos, tive uma crise de diverticulite, e meu médico sugeriu que eu precisava de outra atividade física. Foi então que, de novo, procurei o yoga, desta vez no Espaço Nirvana, onde fiz aulas de hatha duas vezes por semana, frequência que me permitia o meu ofício de tradutora.


No início de 2017, com o horário mais folgado, resolvi aproveitar mais as atividades do Espaço e fiz uma aula guiada de Ashtanga. Foi amor à primeira vista, mesmo eu não conseguindo acompanhar o ritmo. Era fevereiro, cheguei em casa desmilinguida de tanto suar, mas com a certeza de que queria aprender aquela modalidade. Pesquisando na internet, descobri que o Ashtanga é muito mais que as meras posturas e me interessei pela filosofia que fundamenta o método.


Nesse meio tempo, da noite para o dia, o Nirvana fechou. Ficamos todos a ver navios... Comecei a correr atrás de outro lugar para praticar. Sabia que, num prediozinho na rua onde moro, havia o estúdio da professora Dany Sá, e ouvi de uma conhecida a frase que, em vez de me desestimular, me impeliu a buscar o local:

- Mas é Ashtanga, não é para você...


Pensei com os meus botões: como não é para mim? É ao lado da minha casa!!

De novo, recorri à internet para me informar sobre o estúdio, e saber, pelo menos, que combinação digitar no portão para ter acesso à sala. Enviei um email para Dany, que, da Índia, disse-me que lá fosse para fazer uma aula experimental com sua assistente. Outra frustração. Era uma aula Mysore. E o que é isso? Mysore é a cidade do sul da Índia onde nasceu Pattabhi Jois, que foi quem desenvolveu o Ashtanga Vinyasa Yoga, linhagem popularizada no ocidente a partir da década de 1970.


Nesse estilo de aula, o aluno tem que decorar a sequência das posturas, e o professor lhe faz os ajustes necessários. Iniciantes e veteranos praticam juntos, cada qual no seu ritmo, cada qual a sua série. Sim, porque há seis séries de posturas cujo grau de dificuldade aumenta progressivamente.


Sem ter a menor ideia sequer de por onde começar, precisando de ajuda para realizar todos os movimentos da sequência da saudação ao sol, sem domínio nenhum sobre a minha respiração e vendo as pessoas ao meu redor entrando e saindo das posturas com a maior facilidade, fiquei totalmente bloqueada e lembrei-me do que a conhecida me dissera.


Mas em vez de desistir, procurei um lugar que oferecia aulas guiadas, onde pude, ao menos, seguir o instrutor e ir memorizando os movimentos. Três meses depois, em primeiro de agosto de 2017, tornei a bater à porta de Dany. A essa altura, eu já assistira a seus vídeos na rede e me fascinara com a sua performance. Lembrei-lhe de que lhe escrevera no início do ano, contei-lhe que estava tendo aulas guiadas, mas queria realmente ir adiante, e ela me aceitou de pronto.


Para evoluir na prática, é preciso trabalhar diariamente, no tapete e fora dele. “Ashtanga”, em sânscrito, significa oito membros. Oito membros para chegar à união com o todo. Os dois primeiros, yamas e nyamas, são princípios de boa conduta que se referem, respectivamente, aos outros e ao próprio praticante. As posturas, ou ásanas, são apenas o terceiro membro. Em seguida, vêm pranayama, ou controle da respiração, pratyahara, ou controle dos órgãos dos sentidos, dharana, ou concentração plena, dhyana, ou meditação, e finalmente samadhi, ou estado de superconsciência. Esse caminho está explicado nos Yoga Sutras do sábio Patanjali, que viveu entre 200 a.c e 300 d.c.


Trata-se de uma base sólida de aprendizado em todos os sentidos à qual me sinto gratificada por me dedicar. Segundo Pattabhi Jois, o método é próprio para qualquer pessoa, exceto os preguiçosos. Tendo começado com quase setenta anos, experimento na pele que idade não é empecilho. Mesmo sem dominar posturas que exijam muita flexão para trás, sinto que abro espaço no meu corpo, dia a dia, milímetro a milímetro, com a certeza de que, com disciplina, aliada aos ajustes da mestra, ainda chego lá.


Adalgisa Campos da Silva





Adalgisa Campos da Silva é escritora, tradutora e chefe-de-cozinha.

Entre os principais titulos traduzidos encontram-se Cinquenta tons de cinza. E. L. James. Intrínseca. 2012

Pequenas grandes mentiras. Liane Moriarty. Intrínseca, 2013

Depois de você. Jojo Moyes. Intrínseca, 2015

No limite da razão. Bernlef, J. Rio, Casa-Maria Editorial, 1990. p. 114.

Em busca J.D. Salinger. Hamilton, Ian. Rio, Casa-Maria Editorial, 1990, p. 229.


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